Depois de um ano cercado pela polêmica da fraude de emissões, a quer deixar para trás este episódio e ser reconhecida como uma nova empresa. Para isso, apresentou o Transform 2025+, seu programa que pretende colocar a marca entre os líderes em carros elétricos e autônomos dentro dos próximos 10 anos.

A estratégia será investir de forma significativa em e-mobilidade e conectividade. A partir do tema "Volkswagen: Levando as pessoas a diante", a montadora pretende oferecer um futuro seguro e sustentável aos seus clientes. De acordo com o chefe da marca, Herbert Diess, a marca "vai mudar radicalmente. Poucas coisas ficarão como estão. Em última instância, a nova estratéfia é um importante programa de transformação". Mas, ao que tudo indica essa renovação pode não afetar diretamente a Volkswagen no Brasil.

 

Veja abaixo alguns dos planos da Volkswagen para os próximos anos e como eles se relacionam com o nosso mercado:

– Transformação em três fases: a empresa planeja uma mudança global divida em três fases. Em 2020, deve reestruturar a essência de seu negócio e desenvolver novas competências. Cinco anos depois disso, espera-se que a empresa seja líder em mobilidade elétrica, com a oferta de diferentes serviços. Depois disso, a terceira etapa consiste em ter protagonismo na maior transformação da indústria automotiva que, segundo a companhia, deve acontecer depois de 2025.

– Liderança em volume: já líder em volume de produção na China e no continente europeu, a Volkswagen espera conquistar essa posição em todo o mundo a partir desta nova estratégia. Em primeiro plano está o investimento no segmento de utilitários, seguido pela aposta em elétricos. Se você achou que já ouviu isso antes, não está enganado. A disputa com a Toyota pelo título de maior montadora do mundo já vinha sido travada e, segundo a consultoria focus2move, a Volkswagen ultrapassou a montadora japonesa em 2014. Mas, os ânimos nas vendas da alemã pelo mundo diminuíram, especialmente depois do Dieselgate – o escândalo que revelou fraudes feitas pela Volkswagen para manipular a emissão de gases de seus carros pelo mundo, incluindo no Brasil.

– Carros elétricos: esta é uma das maiores apostas da marca e deve fazer parte de sua essência e, de acordo com seu CEO, a companhia pretende ser peça-chave na disseminação dos carros elétricos. O plano é que, até 2025, a Volks esteja vendendo um milhão de carros elétricos anualmente. Para se dedicar a essa produção, a montadora deve descontinuar alguns modelos convencionais que não fazem tanto sucesso.

– Conectividade: assim como em outros pontos, mais uma vez a Volkswagens busca liderança no mercado, desta vez em conectividade. Para conseguir isso, pretende desenvolver a sua própria plataforma digital e, até 2025, espera ter mais de 80 milhões de usuários ativos ao redor do mundo. Além disso, estima que a venda destes serviços vai render pelo menos 1 bilhão de euros dentro desse período de oito anos.

Enquanto isso, no Brasil…

Mas, nem tudo isso deve se tornar realidade no Brasil em curto ou médio prazo. E isso fica claro no documento que registra o plano Transform 2025+, mas também nas palavras dos dirigentes da empresa no Brasil. Em entrevista coletiva durante o Salão de Paris, David Powels, presidente da Volkswagen do Brasil, afirmou que os sistemas de conectividade da empresa devem chegar relativamente rápido ao nosso mercado, porém deixou claro que o foco da empresa no Brasil não é o de oferecer carros elétricos e autônomos no mesmo ritmo que em outros mercados. Segundo Powels, esses veículos chegarão ao país, mas não são a prioridade da empresa.

Isso fica claro também no documento divulgado globalmente pela Volkswagen. Depois de detalhar por dois parágrafos a forte atuação que a empresa deve ter nos Estados Unidos e China durante os próximos anos, o texto se limita a dizer que: "Em outros grandes mercados como a Índia, América do Sul e Rússia, a Volkswagen também pretende desenvolver o segmento de economia".

Volkswagen I.D. (Foto: Volkswagen)

 

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